Viajando pelo Brasil nos anos 80 e 90.

Num outro dia, eu e Lucas estávamos conversando e relembrando de algumas viagens que fizemos com as nossas famílias, quando éramos crianças, lá pelos anos 80 e 90. Foi engraçado lembrar de algumas situações as quais, nem de longe vemos mais… Como por exemplo, como eram as paradas de ônibus na estrada, como era uma zoeira danada passear no chiqueirinho do carro com os primos e também como marcou a nossa infância e foi traumatizante ter que usar aquele papel higiênico cor-de-rosa…

Essa sessão nostalgia que eu e o Lucas tivemos, foi por causa de uma curta viagem que fizemos aqui no Colorado, para conhecermos o Mount Evans, segunda montanha mais alta do estado, com quase 5 mil metros de altitude em relação ao nível do mar onde fica a estrada pavimentada mais alta do mundo (que mais me deu medo na vida até hoje). Durante a subida da montanha tem vários pontos de observação, com apoio ao turista, ou seja: banheiro e informação (tudo sobre formação, fauna e flora naquele ponto específico). O mais engraçado é que eu fiquei pensando “poxa, será que tem encanamento aqui?” Aí descobri que não, tem um “vaso” e uma fossa… Eca! Igual a várias paradas de ônibus na estrada de Minas Gerais para Goiás, que tinham umas a louças enterradas no chão, mais conhecidos como “vaso do estilo turco”, ou “squat toilet”.

Quando eu era pequena, férias eram sinônimo de ir para Goiás de busão. Haja estômago para as 16 sofridas horas de viagem, subindo serra, descendo serra, fazendo curva, parando a cada três horas porque não havia banheiro nos ônibus e ar condicionado era uma coisa inimaginável. Claro, sempre fazendo baldeação porque os ônibus não aguentavam as estradas horríveis de Minas Gerais (que aliás, continuam quase as mesmas desde aquela época). Na estrada para Goiás, passamos por Araxá, e tanto na ida como na volta, o docinho de bolinhas queijo cristalizado (pra poder comer o pacotinho todo na viagem), era o rei! Claro que era crucial levar um pote do docinho de queijo em calda pra levar pra casa, afinal era a continuação da alegria das férias em casa. Até hoje um dos meus doces favoritos! Mas os dois momentos mais esperados da viagem eram quando chegávamos no “Trevão” no Triângulo Mineiro já quase em Goiás para comer o melhor pastel, e logo em seguida passar pelo rio Paranaíba, onde fica a Usina Hidrelétrica de Itumbiara com aquele mundão de água. Bom, essas coisas ainda existem e não é exclusividade dos anos 80 e 90, diferentemente do terror que sempre rolava na parada no posto da Polícia Rodoviária Federal bem na divisa de Minas Gerais com Goiás onde todo mundo tinha que descer do ônibus para mostrar a carteira de vacinação contra febre amarela. E quem não tinha vacina contra febre amarela, fazia o que? Entrava na fila pra tomar a temida vacina de revolver! Lembram-se dela?

Além disso tudo, viajar de carro pelo Brasil era uma loucura já que ninguém usava cinto de segurança nas cidades, e sinto de segurança era obrigatório só para os passageiros dos bancos da frente nas estradas. Imaginem, a gente deu muito trabalho pros anjos da guarda, viu!

Olha, um resumão do que viajar nos anos 80 e 90 eram pra mim:

Goiás, malas de couro sem rodinhas, rodoviária de Belo Horizonte, Gontijo, “olha a água, olha a água”, vacina de febre amarela, toca-fitas, walkman, docinho de queijo, Chitãozinho e Xororó, orelhão de ficha, orelhão de cartão, carros e ônibus sem ar condicionado e sem direção hidráulica, buraqueira na estrada (ops, esse ainda tem né), Cheetos tubo, Ruffles de cebola e salsa, estrada de terra, viajar na caçamba da camionete, chiqueirinho da Caravan do padrinho com os primos, tio avô e tias avós, doce de figo, guariroba, torta de frango com guariroba, maiô do Snoopy, clube, pular a primeira vez de um trampolim, sorveteria Boquinha Doce, sorvete italiano de leite moça, vaca-preta, caldo de cana com pastel, rosquinha de coco com leite moça, fugir de comer pequi com arroz, Cabo Frio com a família inteira e gente dormindo até na cozinha, primeiro caldo no mar e Mamisch desesperada, mexidão do Papisch, Guarapari com as amigas da escola, Guaraná Mineiro que só tinha em Goiás, torta alemã da padaria de Goiás, primeira moeda de 1 real trocada na padaria, alpendre, patins, copa de 94, bolo prestígio da Vovó, Coca-Cola com a tia, torta de ameixa com coco, fugir das vacas bravas na fazenda, comer ingá do pé, comer manga do pé, comer goiaba do pé, All Star preto de cano alto, torta de doce de leite da Confeitaria da Vovó, São João Del Rei, Sandra, crepe no palitinho, baile no clube, Doce-Docê, Monte Verde, misto quente do Hotel Cupim, pão de batata do hotel cupim, Casa do Pão de Queijo (que não é mais a mesma), primeira viagem de avião, Varig, refeição a bordo em viagem doméstica, Ilhéus, aeroporto da Pampulha.

by Lalá,

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