Toto, I’ve a feeling we’re not in Kansas anymore!

A temporada de furacões no Atlântico Norte acabaram assustando muita gente no ano de 2017, e não é para menos, foi a quinta temporada mais ativa desde que os registros começaram, contabilizando 17 tempestades no total e sendo extremamente destrutiva. Infelizmente no Brasil não temos o hábito de verificar a previsão do tempo, ou quiçá confiar nela, mas não é por falta de competência dos meteorologistas não que são extremamente competentes, mas por falta de equipamento e verba (papo pra outro dia, em que eu puder chorar as pitangas da pesquisa no Brasil)…

Essa nossa falta de hábito com relação a saber sobre a previsão do tempo é uma péssima ideia para quando vamos viajar, especialmente para lugares onde há possibilidade de tempos extremos, tais como tempestades de neve, tornados e furacões. Portanto, quando estamos planejando uma viagem devemos sempre conferir a previsão do tempo das próximas semanas, e também saber sobre o clima local, pois é importante sabermos a época que um lugar chove com maior frequência, época das grandes tempestades, se há possibilidade de avalanches, quão frio ou quente é, dentre outros. Eu gosto muito de consultar alguns sites relacionados a tempo e clima antes de viajar, e se a viagem for para os EUA, os sites da NOAA e da Weather Channel são ótimos, especialmente porque neles há várias dicas de como se proteger em caso de tornados e furacões, dentre outras ocorrências:

Perguntinha básica: por que é importante saber se estou viajando numa época de tempestades, chuva, ou friaca? A resposta é quase óbvia, né? Mas, mesmo que seja óbvia, infelizmente alguns fenômenos meteorológicos só podem ser previsto com alguns dias ou horas de antecedência. Portanto, é importante estarmos alerta para alguma situação de emergência e para nos prepararmos para as possíveis desagradáveis surpresas. Imagina, ir para Miami em Agosto e ser pego de surpresa por um furacão dois dias antes do monstrengo chegar na cidade, ou ir passear em Nova Orleans e dar de cara com um tornado… Assustador, né? Bom, é claro que isso pode acontecer, mas a questão é, como devemos proceder.

Fenômenos Naturais – Furacão e Tornado

Vou separar essa teleaula em três partes! Hehe! Brincadeira!

Bom, vou primeiro definir cada um desses dois fenômenos, especialmente a diferença entre furacões e tornados, já que furacão não é tornado e tornado não é furacão. Essa confusão é super comum, simplesmente porque há muita falta de informação (muitas vezes até da mídia). Há também muita confusão com relação a como cada um dos fenômenos se forma. Bom, apesar de ser leiga no assunto eu amo esse tópico, e já venho a alguns anos lendo bastante coisa a respeito e infelizmente ouvindo muita bobagem também! De qualquer forma, vou tentar simplificar o máximo que eu conseguir!

Furacão: Vamos começar definindo furacão da seguinte forma: tempestade que se forma no oceano, Atlântico Norte ou Pacífico, que contém de várias centenas a poucos milhares de quilômetros, sendo possível vê-los nitidamente por satélites. E um detalhe importante: esses fenômenos não ocorrem na Terra plana!! Todos os anos, a temporada de furacões se inicia no dia 1º de junho e vai até o dia 30 de novembro. Esses períodos do ano são verão e outono no hemisfério norte, logo as temperaturas na superfície dos oceanos ficam mais altas, aumentando a evaporação da água e, portanto, a umidade do ar nessas regiões. Portanto, alta umidade e temperaturas mais elevadas são combustíveis perfeitos para a formação de tempestades que podem se tornar furacões. Bem, não só formá-las, mas também intensificá-las.

Quando falamos em furacão, geralmente estamos falando do Atlântico Norte e das várias tempestades que se formam na costa oeste da África, que podem se transformar em tempestades tropicais ou furacões, se houver condições ideais para isso. O caminho natural das tempestades que surgem na costa oeste da África, é geralmente para o oeste, trajetória natural delas (porque a Terra é uma esferoide e tem rotação). À medida que os dias passam, essas tempestades podem se organizar e ganhar intensidade, e é possível então a formação de uma tempestade tropical. A tempestade tropical antecede o furacão em intensidade e forma de se organizar, mas já é bem crítica. Quando as tempestades tropicais se formam, os centros meteorológicos e meteorologistas ficam bem mais atentos pois um furacão pode se formar e atingir a costa como vimos com vários furacões seguidos no ano de 2017. As regiões mais propensas a terem algum tipo de dano devido a furacões são: as várias ilhas na região do Caribe e América Central, Bahamas, Estados Unidos e México, especialmente os estados situados na região do Golfo do México. Ainda falando de Estados Unidos, Flórida, Carolina do Sul, Carolina do Norte, dentre outros estados na costa leste, inclusive Nova York como vimos com o furacão Sandy.

Atualmente, os furacões são classificados através das categorias 1 a 5, sendo que a categoria 1 indica os furacões mais fracos e a categoria 5 indica os furacões mais fortes e raros. Os ventos de um furacão categoria 5 podem passar dos 250 km/h. Com alguns dias de antecedência, consegue-se prever se há probabilidade de um furacão atingir uma região ou não, e com isso há tempo o suficiente de se preparar, mas é claro que não dá pra deixar pra resolver tudo no último minuto, pois o caos surge! Assim que houver confirmação pelas autoridades, recomenda-se comprar água potável engarrafada, comida enlatada (não se esqueça do abridor), lanterna e pilhas, além de abastecer o carro. Caso seja necessário evacuar do local (se houver recomendação de evacuação pelas autoridades), prepare-se para pegar muitas horas de estrada, cancelamento de reservas em hotéis, postos de gasolina sem combustível, filas quilométricas nos mercados, aeroporto abarrotado e com dia e horário para fechar, falta de passagens aéreas, etc, etc, etc… Bem, quem já está hospedado no hotel tem que se mandar para outro lugar, já que os hotéis fecham e nenhum hóspede pode permanecer. Percebem que o caos foi instalado, né? Pois é, bem isso mesmo…

O que eu faria nesse caso? Possivelmente alugaria um carro e me mandaria provavelmente para outro estado, longe da rota do furacão. Na pior das hipóteses (pior das hipóteses mesmo), há a possibilidade de buscar um abrigo do governo. Esses abrigos são geralmente em grandes estádios cobertos, nas próprias cidades onde a tempestade irá passar, tendo que dividir o espaço com milhares de pessoas desconhecidas, com possibilidade de se ter vários dias sem água, sem banheiro, sem luz e sem comida. Há um vídeo do National Geographic sobre o furacão Katrina (disponível no YouTube) onde é possível ter uma ideia de todo o drama de um furacão e do drama de ficar num abrigo do governo.

Essa foto abaixo eu fiz do aplicativo do Weather Channel pelo meu celular, em tempo real, onde mostra o furacão Harvey que atingiu o Texas no dia 25 de agosto de 2017. Observem que a tempestade está em espiral e forma um olho no centro. Pois é, esse olho no centro é o principal indicativo do furacão (tempestades tropicais não possuem o olho).

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Furacão Harvey ao chegar no Texas como categoria 4, em agosto de 2017.

Tornados: Ainda nunca vi um e juro que sonho em ver, desde que eu era pequena!!! A cena do filme “O Mágico de Oz” onde o tornado no Kansas aparece e a Dorothy corria para dentro de casa para tentar se proteger, é clássica! Diferentemente dos furacões, os tornados se formam no continente, terra firme, podendo se formar em qualquer um dos continentes do mundo, exceto na Antártica. Entretanto, o lugar no mundo com maior incidência de formação de tornados é a região de planície dos Estados Unidos, onde existe o famoso “Corredor dos Tornados”, que inclui principalmente os estados centrais e do sul, alguns deles são: Kansas, Oklahoma, Texas, Colorado, Illinois, Arkansas, Louisiana, Mississipi, Alabama, Ohio, Tennessee, dentre outros. Os tornados são provenientes de enormes tempestades, geralmente com chuva de granizo (podendo chegar ao tamanho de uma bola de baseball), raios, trovões e tudo mais que se tem direito. Tornados são colunas de vento, mais conhecidos por formarem colunas de nuvens em rotação, em forma de funil, que descem da tempestade e tocam o chão. Em alguns casos, quando os tornados ainda estão bem no estágio inicial, pode ser que a nuvem ainda não tenha descido, mas isso não quer dizer que ele não está lá (sabe-se pela poeira e detritos que circundam o bichão, ele suga tudo). Aliás só é considerado um tornado se o funil (ou coluna de ar) tocar o chão, senão continua sendo uma nuvem funil. Muito raramente você verá dois tornados ao mesmo tempo… Mas não se desespere caso veja umas nuvens “dependuradas” na tempestade, nem tudo é tornado.

Ainda não se sabe exatamente como os tornados se formam, mas os principais combustíveis são: o ar quente e úmido do Golfo do México, o ar gelado e seco das Montanhas Rochosas e o ar seco e quente da região desértica. Essa combinação é perfeita para formação de grandes tempestades, inclusive as tempestades tornádicas. Uma outra forma a qual os tornados se formam, é quando os furacões estão na costa. As tempestades provenientes dos furacões podem gerar tornados também.

Os tornados funcionam mais ou menos assim: o ar quente e frio entram em choque e começam a girar rápido, na horizontal. Só que o ar quente consegue levantar essa coluna horizontal de ar que gira, fazendo com que ela fique na vertical. Por isso que existe uma nuvem de tempestade gigante acima do tornado, que chega até na estratosfera. A direção do tornado é comandada pela direção dos ventos frios lá em cima, no topo da nuvem. Os tornados são muito pequenininhos, perto do tamanho da tempestade acima deles e eles só se formam na extremidade da tempestade, como mostrado na imagem abaixo:

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Imagem da formação de um tornado, da Revista National Geographic –  aliás tem uma animação bem legal no site explicando direitinho, clica lá pra ver! (http://ngm.nationalgeographic.com/2013/11/biggest-storm/tornado-formation)

Tornados são classificados pela Escala Fujita de acordo com a velocidade do vento e capacidade de destruição, e podem ir do EF-0 (mais fraco, que quebra galhos, danifica carros, janelas, telhados) até o EF-5 (que pode derrubar uma casa, por exemplo). A velocidade de rotação do funil em seu topo pode chegar a 480 km/h e a velocidade linear do funil no solo pode chegar a 180 km/h. O maior tornado até hoje registrado foi em El Reno, no estado de Oklahoma em 2013, esse tornado foi um EF-5 cujo diâmetro do funil no solo chegou a mais de 4 km (maior que Manhattan em largura). Tornados são extremamente perigosos,  bem mais que furacões, pois como dizem alguns conhecidos meus no Texas “num minuto você está lá e no minuto seguinte não está mais”. Nos Estados Unidos, apenas 25% dos tornados são avisados com antecedência, e infelizmente no Brasil muitos dos tornados nem são registrados por serem entendidos como uma tempestade muito forte. Os avisos sonoros (sirenes) são dados a poucos minutos, uns 10 minutos, antes do funil tocar o solo. Tempo o suficiente dos alarmes soarem e procurarmos algum abrigo. Entretanto, só há sirene nas cidades com maior incidência de tornados. Cidades como, Miami, Orlando, Houston, dentre outras que tem tornados só de vez em quando não tem esse sistema de sirenes. Porém, fique sempre atento ao rádio, televisão e celular (com número dos EUA), pois o governo também emite alertas através deles. Um bom jeito de receber alertas caso nenhuma das opções acima esteja disponível, é cadastrar o número do seu celular no site da Weather Channel (link para Central de Tornados) eles sempre emitem alertas também.

Essa foto aí de baixo é do primeiro tornado “capturado” pelo radar doppler da NSSL e pelos pesquisadores (mais conhecidos como caçadores de tornado) da NSSL, Laboratório Nacional de Tempestades Severas (tradução livre)  da NOAA, em 1973. Imagina quanta emoção deve ter um caçador de tornados! Aliás, profissão essa que eu queria seguir depois que assisti pela primeira vez o filme “Twister”! Hahaha!

https://www.nssl.noaa.gov/about/events/40thanniversary/stories/images/nssl0062.jpg

Primeiro tornado “capturado” por pesquisadores da NOAA em Union City, Oklahoma, em 1973.

Estou viajando e vai ter uma tempestade, o que devo fazer?

Bom, a primeira resposta é “depende”. Eu não sou especialista no assunto e nem vou dar um monte de dicas malucas, mesmo porque eu provavelmente também estaria correndo em círculos com a mão na cabeça, gritando FERROU!!! Bom, provavelmente não seria essa palavra, mas já serve para ilustrar o drama.

No caso de furacões eu diria que o melhor a se fazer é procurar se informar melhor sobre a situação. Se você já está na cidade onde é previsto o furacão, procure se informar no hotel em que está hospedado quais são os procedimentos e principalmente se haverá possibilidade de evacuação. Se houver ordem de evacuação na região em que você está hospedado, você certamente terá que sair do hotel.

Bem, se eu tivesse hospedada e minha reserva fosse cancelada, o que eu faria? Minha primeira alternativa provavelmente seria ou tentar antecipar a viagem de volta pra casa ou alugar um carro e me hospedar bem longe dali, de preferência em outro estado e bem longe da possível rota do furacão. As duas alternativas têm seus prós e contras. Para voltar mais cedo eu tenho que considerar que os aeroportos estarão abarrotados, já que é também a primeira alternativa de muita gente. Então, há possibilidade de você não conseguir embarcar até o aeroporto fechar. Para a outra alternativa, a de alugar um carro, há algumas considerações a serem feitas, a primeira delas é a idade. Muitas locadoras só alugam carros para pessoas acima de 25 anos. Outras até alugam carros para quem tem entre 20 e 24 anos, mas com uma taxa extra e com restrição aos tipos de carros. A segunda questão é o valor. O aluguel do carro para uma semana pode sair por até uns 900 dólares, dependendo da sua idade, opção de seguro e do fato que terá que entregar o carro em outra cidade (eu fiz uma simulação no site da Hertz para ter uma ideia). Bom, não da para se esquecer de que ainda haverão custos com hospedagem, alimentação, possíveis taxas de embarque, dentre outros custos.

Se eu tivesse uma viagem marcada em que eu fosse chegar junto com o furacão, eu sinceramente nem iria. Parece óbvio, mas já ouvi dizer de pessoas que passaram por essa situação e tiveram que procurar o abrigo do governo americano. Que férias, hem…

Em caso de tornados as coisas são mais simples, mas ao mesmo tempo bem mais perigosas. Eu já passei por dois alertas de tornado, em um deles eu estava no quarto do hotel e no outro eu estava na sede da empresa que eu trabalhava, ambas em Houston, no TX. Houston não tem uma frequência alta de tornados, então não havia nem abrigo para tornados e nem sirene. Então o jeito era ficar grudado no celular e televisão. Por sorte nas duas situações a televisão estava ligada e eu recebi o alerta pela TV. Se você estiver em algum lugar que tenha abrigo (tornado shelter), é para lá que você deve ir. Os tornado shelters podem ser banheiros, ou algum tipo de galpão no subsolo e sempre terão uma indicação. Entretanto, se não houver tornado shelter como foi no caso em que ocorreu comigo, fui instruída a ir para o andar mais baixo do prédio (em um dos casos a planta só tinha um andar) e ir para o cômodo ou parte mais interna do prédio, aquele cômodo que fica bem no miolo da construção com mais paredes em volta e que não tenha janela. Isso porque além dos ventos fortes, há muitos detritos voando o que torna tudo mais perigoso. Essa é sim uma experiência assustadora, mas não podemos deixar o pânico tomar conta, senão fazemos bobagem. Provavelmente a pior coisa a se fazer é sair do local de carro, pois você pode ficar preso no trânsito devido a engarrafamentos, alagamentos, destroços nas vias, etc e ser pego de surpresa pelo tornado. Se esconder debaixo de pontes, nem pensar! O melhor mesmo é procurar um local seguro.

Boa viagem e se cuida!

by Lalá

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