Conexão longa no Natal! – Amsterdã

Em 2012, eu trabalhava como engenheira numa empresa do ramo Óleo & Gás e no final do ano, em Novembro e Dezembro, fiz um embarque de 15 dias em Angra dos Reis seguido por uma viagem de mais de uma semana para a Noruega. Tudo o que eu mais queria na semana do Natal era ter certeza que iria comer aquele Peru à Califórnia (receita da Vovó) com a minha família, e que iria encontrar com os amigos, o namorado (que já morava em Miami) e com a família do namorado, especialmente porque faziam alguns meses que eu não visitava a Terrinha, Home Sweet Home, Belo Horizonte.

Enfim, dia 22 de Dezembro eu estava voltando da Noruega, sem saber ainda se conseguiria chegar em casa para o Natal, pois meu voo que seria um dia antes com uma conexão curta de 3 horas em Paris teve que ser trocado e foi quase impossível achar um outro voo para o Brasil que me permitisse chegar pelo menos no dia 24 de Dezembro, véspera de Natal. A melhor opção que me foi dada naquele momento era um voo por Amsterdã com uma conexão de 12 horas… Imagina o meu ânimo, arrumando as mala de volta pra casa vendo filmes de Natal em Norueguês (sem entender bulhufas, e sendo dramática porque achava que a Lei de Murphy ia me pegar no caminho a qualquer momento), e ao mesmo tempo tentando me convencer que seria legal passear por Amsterdã, mesmo que eu fosse perder o Natal em casa…

Lá estava eu, no aeroporto de Stavanger (Noruega) com o voo mega atrasado por causa da neve (normal). Por sorte eu pensei em colocar umas duas mudas de roupa na mala de mão… Por acaso, sabe… Enfim, cheguei no aeroporto Schipol em Amsterdã e levei mais ou menos uma hora do lado da esteira esperando a minha mala chegar… Até que eu me dei conta de que estava em conexão em outro país e que não, eu não teria acesso à minha mala até chegar em São Paulo. Rolou aquele momento de pânico! Enfim, não tinha nada que poderia ser feito… Segui então pro hotel, Hilton Schipol, que ficava ali mesmo dentro do complexo do aeroporto. Bom, o que fazer em Amsterdã no dia 22 de Dezembro numa conexão de 12 horas? Passear, né!

Entretanto, várias das opções que eu gostaria de visitar em Amsterdã seriam simplesmente impossíveis de ir, como o museu do Van Gogh ou da Anne Frank, simplesmente por não saber que iria para Amsterdã até alguns dias atrás e não ter tido tempo de me planejar. Portanto, fui para o centro conhecer o famoso Red Light District (RLD), já que nenhum planejamento seria necessário e é um ponto turístico também. Na portaria do hotel peguei um mapa impresso especialmente para turistas com os principais pontos de visitação da região central e fui para o aeroporto pegar o trem que iria até a estação final no centro de Amsterdã. É óbvio que eu desci na estação errada! Um clássico! Hehe! Enfim, subi no outro trem e aí sim, fui para a estação certa: Amsterdam Centraal. Eu me lembro bem de descer da estação e comprar um guarda-chuva, já que estava chovendo o dia todo, e dar uma volta pelas ruas ali mesmo, perto dos canais para ver como que era a cidade. Quase fui atropelada por bicicletas algumas vezes e fiquei zureta com a mistura carro, bicicleta e bonde… Complexo! Levei uma bombardeada de cocôs de pombo e o guarda-chuva me salvou (só fui reparar quando voltei pro hotel, na verdade). Depois de vários sustos com as bicicletas, os bondes, os carros e tudo mais, segui para o RLD.

 

Esquerda: um dos canais do centro; Direita: saída em frente à estação de trem.

O clima de Natal estava na cidade toda! Haviam várias pessoas nas ruas, de loja em loja fazendo compras. Todo mundo cheio de sacolas como em quase qualquer outro lugar onde se comemora o Natal. Eu comecei a entrar no clima natalino quando vi uma feirinha de longe (Uhu! Feirinha local!) e decidi conferir o que tinha por lá! Afinal, vai que daria pra levar um presentinho, né? Bom, dentre várias barraquinhas haviam várias com produtos um tanto inusitados, até que me dei conta que estava numa feirinha de produtos eróticos e que havia entrado de fato no RLD! Hahaha! Sem presentinhos então, né!

Bom, ainda desbravando a desconhecida Amsterdã, vi no caminho o famoso Museu do Sexo que eu já tinha ouvido falar algumas vezes e fui dar uma conferida. O interessante é que parecia ser só uma portinha com uma salinha, mas não. O museu tem quatro andares e várias obras que eu achei super interessantes, principalmente porque não fazia ideia do que esperar. Saindo de lá, continuei a caminhada pelas ruas do centro. Uma das coisas que eu mais estava curiosa era em ver as famosas vitrines do Red Light District, da famosa música: “Roxanne you don’t have to put on the red light.
Those days are over, you don’t have to sell your body to the night”, do The Police, lembram? Enfim, queria ver como eram, como me sentiria perante à situação, como as pessoas se comportavam diante das vitrines (coisas do meu lado meio psicóloga-antropóloga-observadora), enfim, estava curiosa! Pensei que pudesse ver algum tipo de indicação nas ruas sobre as vitrines, mas não… Eu passei por elas e quase não reparei! Bom, ainda estava no meio da tarde e a maior parte das vitrines estavam fechadas. Foi interessante, pois parecia que para as pessoas locais aquilo era parte da paisagem, não se ligava muito, haviam inclusive famílias com crianças passeando pelas redondezas, mas de fato era nítido ver quem era turista, já que todos nós olhávamos com cara de curiosidade para as mulheres que estavam atrás dos vidros. Aliás, isso é fato com relação a tudo que nos soa “diferente” em Amsterdã.

Continuei a peregrinação para ver se eu encontrava a barraquinha de arenque com cebola e limão, um clássico da região, mas infelizmente voltei frustrada por não poder experimentar comer o peixe cru pelo rabo, como um viking faria. Será que eu iria querer comer? Não sei, tenho que voltar lá e encarar a iguaria pra ver se rola!

Quando começou a escurecer, decidi voltar e descansar, afinal o dia seguinte seria longo no avião da KLM! Juro que Murphy (o cara da lei), tentou fazer uma pegadinha comigo. Quando eu fui fazer o check-in, o meu passaporte não estava sendo lido de jeito nenhum… Passei a digitar o meu nome no totem, e nada! Tive então que encarar a fila do check-in para ver o que estava acontecendo e descobri que o meu nome foi digitado completamente errado!! A propósito, não fui eu quem digitou o meu nome na compra da passagem. Eu estava a trabalho e há sempre uma empresa terceirizada para realizar essas compras. A funcionária da empresa poderia simplesmente dizer “sinto muito, mas você não é a pessoa da passagem” e eu perderia o voo, o Natal, além de ter que esperar para comprar uma outra passagem de volta (sabe-se lá quando a essa altura). Entretanto, tive muita sorte e a funcionária, catando letra por letra do nome esdrúxulo que foi digitado viu que eu era aquela pessoa de nome alienígena. Ela (santa) me deu o cartão de embarque e eu fui feliz e saltitante para a sala de embarque. Não esperei muito tempo, mas sei que quase todo o tempo que eu tinha eu gastei olhando quais queijos levar pra casa de presente, o que deve ter aumentado o peso da minha mala de mão em 1 quilo e meio mais ou menos. Sim, tem uma loja que vende queijo holandês e outras delícias dentro da sala de embarque – comprei um pacote que haviam 5 diferentes tipos de Gouda: com ervas finas, com páprica, de cabra, defumado e tradicional – uau eu lembro de todos os sabores e não conferi no site do aeroporto, hem! Haha!

Enfim, embarquei, voei pela KLM (não me esqueço do frango com anis estrelado bizarríssimo do almoço), pousei no aeroporto de Guarulhos e peguei outro voo para BH. Cheguei em casa na madrugada do dia 24, a tempo de celebrar a virada do dia 24 para o dia 25 com todo mundo e com os queijos que duraram…. Algumas horas!

Algumas dicas de Amsterdã e de viagens em geral:

  • Amsterdã é super fofa e acho que vários passeios valem a pena. Além dos museus que eu mencionei no início do post, há também passeios de barco pelos canais (os barcos são fechados no inverno). Mais informações dos passeios pelos canais no site: https://amsterdamcanalcruises.nl/
  • Quer saber onde tem os queijos que falei? Dê uma olhada no site do aeroporto Schipol: https://www.schiphol.nl/en/page/the-dutch-touch/ (tem queijos, waffles, porcelanas, e as pantufas mais fofas com formato dos tamancos de madeira).
  • Sempre tenha algumas peças de roupa extra na mala de mão, especialmente se muitas conexões serão feitas. Sua mala pode ficar retida, como foi o meu caso, ou pode ser extraviada também (infelizmente).
  • Maconha e chá de cogumelo só podem ser consumidos DENTRO dos coffee shops em Amsterdã. Quase ninguém sabe disso, mas essas drogas são ILEGAIS em Amsterdã e na Holanda.
  • Se você for a pessoa a comprar suas passagens aéreas tenha certeza que digitou o seu nome e sobrenome exatamente como consta no seu passaporte, você pode perder a viagem, ter dor de cabeça com a polícia (até explicar que focinho de porco não é tomada) e ter que comprar outra passagem. Se for uma empresa que vai fazer isso por você, certifique-se de que mandou a cópia da página do passaporte com a identificação bem legível ou que passou corretamente seu nome o sobrenome, como devem ser impressos nas passagens.

Essa foi a minha mini-aventura por Amsterdã! Espero que tenham curtido! 🙂

by Lalá.

 

 

 

 

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